Sim, perdi o sentido e agora estou mais louca do que um dia pensei estar. Me enganei, quando pensei estar enganada; chorei, talvez por pensar tanto na morte. Se estou fisicamente doente, eu não sei, mas a minha alma a cada dia piora, talvez ela se apresse em falar que eu a aprisiono, que eu não zelo por ela, simplesmente que eu a abandono, por não ser capaz de lutar por ela.
Me afogo em xícaras de café, em livros empoeirados, em chás gelados, em sonetos de falecidos. Danço mentalmente as músicas melancólicas, vestidas de seus refinados tecidos. Me perdi na linha reta, nem sequer cheguei a dobrar, nem mesmo passei para outra rua, justamente pelo medo de errar. E me perdi na direção, me enganei quando pensei me enganar, voltei dois passos no asfalto, é quando o sol só faz esquentar. Chorei na trilha, engoli o último suspiro, levantei e comecei a caminhar.
Ora, simplesmente perdi o sentido, até as palavras se desviaram, se misturaram, não voltam ao seu lugar, me enrolam como se quisessem mesmo falar. Mas elas não respondem, só brincam de esconde-esconde. E agora? Vou ler, vou pensar, vou me deitar.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
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vooê escreveu a frase perfeita "me enganei quando pensei me enganar" foi o que fiz ontem me enganei em pensar que tudo seria diferente. que bom vc voltou a escrever...bjos
ResponderExcluirPutz Grila =|
ResponderExcluir"Me perdi na linha reta..."
Não conto com isso, mas pode apostar que quase levei um susto ao ler esse... esse fragmentozinho, que pra mim, já funciona quase que como uma abreviação de toda a situação que eu penso que o eu-lírico está engendrado.
Se me permite uma livre divagação, eu acho que esse é o efeito mais torrencial que o prozaico viver da humanidade pode acarretar. Só consigo pensar isso... A rotina.... caraca, que hostil linha reta é essa que nos traria tão menos problemas se submetese-se ao luxo de umas curvinhas...
Muito obrigado por essa leitura =)