sábado, 27 de dezembro de 2008

Ela, que tinha medo das Emoções...

Um dia ela caiu em si, quis voltar, se apavorou. Quis acordar, mesmo sabendo agora, que estava acordada. Quis recuperar, reverter e disse à si mesma que, da morte, não poderia fugir, mas desviá-la, talvez...
Na realidade não foi bem assim, ela tinha a consciência de que enxergou em três semanas, o que não viu durante quase toda a vida. O tempo é curto, quando se parece longo, o tempo sempre alcançou de maneira vaga, os pensamentos. Os segundos que perdia reclamando em frente à televisão, poderiam ter sido úteis para o telefone: ligar pra mãe, falar da saudade que fazia, mandar um beijo ou simplesmente chorar. O que?! Não podia, tinha medo das emoções, tinha medo de se afogar. Não queria chorar, já havia derramado muitas lágrimas na vida, por isso procurava evitá-las, procurava se afastar de todo o drama, de todo o sentimento.
Hoje ela está sentada, na poltrona junto à janela do quarto, escrevendo, escutando o som do próprio subconsciente, ouvindo até que não foi capaz de evitar.
Apostava na vida, como a certeza que tinha do próximo suspiro. "Amanhã eu farei". E o amanhã tornava-se passado, cada vez mais que era pronunciado. O relógio corria, no fim do dia a apavorava.
Hoje ela está parada, o tempo já nem a perturba, as horas sossegaram. Mas hoje ela está calada, tomando uma leve xícara de chá. Está pensativa e pela primeira vez, de olhos fundos de dor. A consciência, como um barco furado "se não tivesse feito do presente, o passado inacabado, talvez chegaria à tempo de revelar o quanto eu a amava".

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

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quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Vila Verona...

Foi por ali que passei, calçadas da Vila Verona,
lojas de chocolate, onde o olfato se confunde com o sabor.
Moças adoráveis, sonhadoras, à espera do grande amor.
Foi por ali que passei, flores formosas,
a única vez que as encontrei.
Ali que parei, no mesmo banco de pedra, sentei.
Ali também conversei, sorri, levantei.
Cansei, de rimar os passos, os caminhos doces que tracei.
Esgotei a mente em versos visíveis.
Devo ter confundido o coração.
Bati na porta da solidão,
sem saber que me esperava, a escuridão.
Confiei desconfiada, falante e calada,
nas estrofes do amor.
Bati a cabeça, esqueci até quem sou.
Ouvi vozes em casa, naquele mesmo corredor.
Escorreguei, temi os olhos,
lembrei, na Vila Verona, só havia você.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Estive Pensando...

Não adianta, talvez algumas pessoas, que perderam familiares ou grandes amigos, tentem buscar em outras, qualidades que seus ente queridos possuíam. Ainda assim, talvez se identifiquem, mas a resposta não é só prática, como também, teórica "Somos únicos. Aparentemente parecidos, interiormente, diferentes".
Eu não costumo falar, sem antes ter lido sobre o assunto. A vida, por exemplo, creio que todos podem argumentá-la, podem escrever diversos livros, dar inúmeras palestras, ainda assim, os mesmos nunca a entenderão. Por ser ela, não algo complicado, é só um jogo onde poucos lêem as regras e saem jogando conforme cada impulso. É uma corrente onde tudo se liga, e no passar dos dias, ou anos, nem percebemos, mas... é isso. A vida, para ser entendida, precisa ser vivida. E não falo da diversão em si, falo da consciência de cada dia. Viver consciente e com objetivos, digo, lutar por êles.
Muita gente critica aqueles que têm sonhos, e até repreendem as crianças quando desejam algo muito grandioso. Talvez o título do blog, resuma tudo o que estou tentando explicar "Somos aquilo que pensamos", e como muitos já sabem, essa frase é de Buddha, eu sou apenas aprendiz.
Pois é, os grandes vencedores, um dia tiveram sonhos e nunca deixaram de ter. Sonhe, busque realizar.
Já ouvi, li teorias, a maioria descartei, direto pra lata de lixo. É que a minha consciência sabe diferenciar. Não aceito tudo o que vejo, nem coisas que estão sob meu domínio, para isso, é preciso não se deixar dominar.
Nunca me deixei levar por coisas materiais que possuo. Sempre cuidei do exterior, sem esquecer do interior. Acredito que a alma é revelada através do nosso físico, dos nossos atos. Hoje, há alguns minutos atrás, eu estava pensando na quantidade de pessoas que se deixam levar pela futilidade, (me perdoem o termo, mas só encontrei este, como mais adequado para me referir à elas) sem ter uma noção de tudo o que é passageiro. Pra falar a verdade, seguem o caminho mais fácil. Conheço poucos seguidores do caminho difícil.
A vida nos dá direitos, nos entregando juntamente, as regras.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Poeta...

Poeta...
tem o dom de ser uma planta,
tem o dom de ser o sol,
tem o dom de voltar a ser criança...
de voar, morrer e voltar a viver.

Poeta...
simplesmente possue o dom do olhar,
o dom do ouvir...
de viver, e não apenas, existir.

Poeta...
é o mocinho, o bandido,
o príncipe, o fingidor...
mais que isso,
é o amador.

Poeta...
é o adivinho, o aluno, o professor.

Poeta...
tem olhos que reparam
as coisas mais secretas.
E lágrimas pra chorar
nas horas indiscretas.

Poeta...
é o feminino e o masculino,
é o mágico das magias discretas.
O sábio, o aprendiz.

Poeta... ora, é POETA.

Estrofe do poema "Autopsicografia" (Fernando Pessoa):

"O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente".

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

As Últimas luzes da Avenida...

Não me revolto com essas tuas palavras,
tão tolas, tão bobas. Pra mim, não passam de palavras...
Não escuto, só ouço calada,
nem observo, não me interesso, por isso que falas.
Não espero, eu ando, eu corro, me escondo e mais nada.
Só choro quando quero, não estou nem aí.
Eu não peço, prossigo,
finjo que acredito.
Fecho os olhos, suspiro,
pego a bolsa, saio pela porta da sala.
O carro estacionado, sempre na frente do portão.
Ligo o som, as músicas na próxima estação.
Os postes acesos, na avenida, na beira da praia,
o veículo semi-iluminado, irrefreável.
Todos, indo, vindo, tristes ou alegres,
Jovens ou velhos. Até tentaram me avisar,
até apontaram na minha direção,
até chegaram a falar...
Foi tarde, o carro acendeu os primeiros fogos de fim de ano,
deu o Adeus inesperado da vida,
ainda vi as últimas luzes da avenida.