Um dia ela caiu em si, quis voltar, se apavorou. Quis acordar, mesmo sabendo agora, que estava acordada. Quis recuperar, reverter e disse à si mesma que, da morte, não poderia fugir, mas desviá-la, talvez...
Na realidade não foi bem assim, ela tinha a consciência de que enxergou em três semanas, o que não viu durante quase toda a vida. O tempo é curto, quando se parece longo, o tempo sempre alcançou de maneira vaga, os pensamentos. Os segundos que perdia reclamando em frente à televisão, poderiam ter sido úteis para o telefone: ligar pra mãe, falar da saudade que fazia, mandar um beijo ou simplesmente chorar. O que?! Não podia, tinha medo das emoções, tinha medo de se afogar. Não queria chorar, já havia derramado muitas lágrimas na vida, por isso procurava evitá-las, procurava se afastar de todo o drama, de todo o sentimento.
Hoje ela está sentada, na poltrona junto à janela do quarto, escrevendo, escutando o som do próprio subconsciente, ouvindo até que não foi capaz de evitar.
Apostava na vida, como a certeza que tinha do próximo suspiro. "Amanhã eu farei". E o amanhã tornava-se passado, cada vez mais que era pronunciado. O relógio corria, no fim do dia a apavorava.
Hoje ela está parada, o tempo já nem a perturba, as horas sossegaram. Mas hoje ela está calada, tomando uma leve xícara de chá. Está pensativa e pela primeira vez, de olhos fundos de dor. A consciência, como um barco furado "se não tivesse feito do presente, o passado inacabado, talvez chegaria à tempo de revelar o quanto eu a amava".
sábado, 27 de dezembro de 2008
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Acho seu blog o maximo, sempre que posso dou uma olhada nele, e confesso, fico fascinada por cada particula escrita por vc. pennsei duas ou três vzs antes de fazer tal comentario, Gosto de certa maneira estar presente aqui, me faz bem o ler, eu tbm tenho blog,mais isso não venhe ao caso, estou aqui só pra fazer elogio a uma criatura,muito inteligente que é vocÊ, Meus parabéns
ResponderExcluircassia freitas